Ocidente, Oriente, meritocracia e o novo mundo

Prezados geonautas,

Comentário aos posts de Renato Santos de Souza: Desvendando a espuma (I e II): de volta ao enigma da classe média.

Eu gostaria de agradecer ao Professor Renato Santos de Souza, pelos dois artigos e reflexões. Sobre o texto não teria nada a criticar, pelo contrário, estou na vivessênciaprendiz, que bom que existe vida nas universidades, eu tenho dúvidas se é maioria, mas essa lufada de colocar os pingos nos is, foi muito bem vinda, qualitativa e quantitativa, eficiente e significativa. Mas gostaria de acrecentar uma provocação, como o Renato lembra-nos “o verso,cada um de nós é um universo  (Raul sixas)- a pérola da concepção subjetiva e complexa do ser humano”, tanto o texto do Renato, como os comentários, o universo, as bases do nosso universo se limita ao mundo ocidente, a única matriz considerada pelas elites. Eu gostaria de trazer outros dois universos, o universo ameríndio, por meio de Darcy Ribeiro e o universo Oriental.

Darcy fazendo a crítica ácida a nossa formação secular das elites brasileiras, e um vídeo recente indicado por Martin Jacques, legendas em português, o chinês eric X. Li, fala da cultura milenar oriental e ao mesmo tempo, espoe as víceras do desmoronamento da catedral do modelo ocidental dos últimos séculos, que é a crise de valores morais e éticos pelo que passa o mundo ocidental, e não crise econômica, da qual Martin Jacques tornou-se um especialista, uma referência, desde 2010 (Quando a China Dominar o mundo), visão que também teve nosso filósofo social no fim do século XX, artigo meu do mês outubro de 2013: Celso Furtado e o Ocidente em ‘State of Denial’).

Darcy Ribeiro, no documentário, “O Guerreiro Sonhador”, de Fernando Barbosa Lima, diz a certa altura sobre Anisío Teixeira, vejam bem, a crítica é nada mais nada menos, para Anísio Teixeira:

(…) “a cabeça do Anísio […] era uma pessoa pelo qual não passou nenhuma informação sobre índio, nunca, era um agentizinho europeu aqui,...”

Isso é para mostrar nossas víceras sim, minhas dúvidas e de muitos sobre nossos elites, universidades,…, têm raízes de longa data, em muitos sentidos ainda somos colonizados, ou como disse Darcy, estamos cheios de “um agentezinho europeu aqui“. (fiz abaixo toda a transcrição da fala de Darcy no vídeo sobre esse contexto).

O vídeo de Eric X. Li coloca entre outras questões, o sistema de meritócracia e de valores morais e éticos, da civilização milenar chinesa. Por sinal é o curso que está bombando em Harvard desde 2011, não é sobre moral e éticas no ocidente, mas sim “Moral e Ética na Filosofia Chinesa”.

Como vislumbrou Celso Furtado, disse em seu discurso de posse na ABL,

(…) “Com efeito, as projeções mais recentes a respeito da distribuição espacial dos frutos do desenvolvimento, tanto econômico como científico, indicam que nos próximos dois a três decênios o mundo Oriental terá alcançado, ou mesmo superado, o Ocidente.”

A elite brasileira, e o Brasil, estamos na mesmas condições que Friedric List na alemanha de 1841.

Links:

1- Fernando Barbosa Lima – Darcy Ribeiro: O Guerreiro Sonhador (pt.2)

https://www.youtube.com/watch?v=Z_4bc_asB8c

Transcrição da fala de 5:43 min. à 8:30 min.:

“Eu tinha antipatia pelo Anísio, achava o Anísio um udenista (UDN) muito pequenininho, ranzinza, eu tinha essa antipatia por ele e ele tinha por mim. Há uma frase do Anísio sobre mim, a primeira frase do Anísio muito engraçada, ele dizia, “só pode ser um imbecil, dizem que é inteligente, e se dedica por 0,02% da população brasileira, se fosse inteligente, se dedicaria pelos outros 99,98% da população brasileira, é ideiota, é idiota“, ele também se negava a falar comigo,…, “ele também é um homem rude, um soldado do Rondon, esse negócio, ele quer ser bandeirante“.

Alguns amigos queriam nos aproximar e ele tinha má vontade, um dia eu fui fazer uma conferência para ele, para um grupo em que ele estava, ele nunca tinha assistido uma conferência minha, ele viu a conferência, eu fiz uma comparação entre dois povos G, um COCAMECRA e os CRAOS e fiz um contraste, de repente o infeliz se interessou muito, o Anísio e disse, “é igual Atenas e Esparta, é igual“, ou seja, de Atenas e Esparta que era o interesse dele, ele é de formação européia, uma cabeça feito na igreja, a cabeça do Anísio se liberou na filosofia norte americana, era uma pessoa pelo qual não passou nenhuma informação sobre índio, nunca, era um agentizinho europeu aqui, ele precisava, atraves da Grécia, do contraste bonito entre Atenas e Esparta, ele pode ver que os índios poderiam ser interessantes, risos,…, isso nos aproximou mais ou menos. Ele criou nessa época uma série de centros de estudos sociais, de Antropologia, Sociologia, tendo em vista, conhecer melhor a cultura brasileira, para fazer uma escola mais adaptada para o Brasil, e eu fui trabalhar nisso aí, isso me aproximou dele cada vez mais, houve uma espécie de paixão, depois paixão por uma vida inteira, a minha pelo Anísio e dele para mim, uma identificação tão grande que nós passamos a trabalhar com colaboradores muito próximos.”

Em 1957, Anísio Teixeira convida Darcy para trabalhar no Centro de Pesquisas Educacionais, do Ministério da Educação e Cultura.

2- TED vídeo: Eric X. Li: Um conto de dois sistemas políticos (FILMED OCT 2010 • POSTED JAN 2011 • TEDSalon London 2010)

http://www.ted.com/talks/martin_jacques_understanding_the_rise_of_china.html

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s