Antonio ‘Brincante’ Nobrega: Instinto Civilizacional da Cultura Popular

Caros geonautas,

Da colonização portuguesa-europeia, indígena, africana, oriental (Gôa, Mouros e Macau), à Inconfidência Mineira, ao “Instinto de Nacionalidade” (Machado de Assis, 1873), ao ‘Instinto Civilizacional’ da Cultura Popular

Roda Viva | Antonio Nóbrega | 24/11/2014

 

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Baruch Spinoza (1632-1677): Inserção do Logos Moderno em Ordem Mítica

O que tem de de conhecimento e sabedoria oriental em Baruch Spinoza?
Os Gregos já escreveu a 2500 anos (Herodotus): “o Oriente é o berço de toda a civilização e de toda sabedoria.”

Desde a viajem de Marco Polo no século XIII para a China, que precede a Divina Comédia (1308-1321, Séc. XIV) de Dante Alighieri, a viajem dos Jesuitas (Macau em 1552), os europeus pré-renascentista e renascentistas, beberam na fonte da civilização greco-romana e da civilização chinesa, nesse período até o começo da idade moderna no ocidente, foram escritos centenas, se não milhares de livros sobre a cultura chinesa.
Como diz o texto, somente na primeira metade do século XVIII, na fermentação do iluminismo, foram publicados 599 livros sobre a China.
(…) In the first half of the 18th century – the heyday of the Enlightenment – 599 foreign language books about China were published. In these texts, China’s Confucian ethics and philosophy, the view that man is a part of nature,….”
Europe’s 500-Year Chinese Dream
http://english.cntv.cn/special/newleadership/chinesedream03.html

E a cultura intelectual livresca tupiniquim?

Como diria Darcy Ribeiro sobre os intelectuais livresco tupiniquim, “os agentes europeuzinho aqui”, ou Gilberto Freyre, sobre o Brasil ser a “China Tropical” (2011), portanto antes de Darcy Ribeiro, já alertava sobre nossa propensão em europeizar-se e americanizar-se, embora em nossa formação, sejamos bem menos influenciados pela cultura europeia que achamos, temos em nossa raízes, em nossa cultura popular, bem mais mouros que supomos, assim como da cultura chineses e claro, africana, mas continuamos a ver o mundo somente do ponto de vista dos europeus, dos americanos, e aí “demos uma enorme dificuldade em entender o mundo” (Milton Santos).

Em um debate no CCBB em sampa, alguns anos atrás, sobre o filme Jango (1984), de Sílvio Tendler, com ele presente no debate, argumentei que a melhor definição sobre o golpe de 1964, na minha modesta e limitada visão, foi definida pelas palavras de Leonel Brizola, quase meio século depois e anos antes dele morrer, disse ele sobre a esquerda no poder em 1961: “Ganhamos o poder de graça e não sabíamos o que fazer” e emendei sobre a minha visão do filme, o filme mostra como somos uma sociedade de maturidade estudantil, ainda estamos na adolescência da mediocridade, na qual fui veementemente contestado pelo diretor do filme.

Nesse crise e diria, fim de um ciclo da democracia brasileira, na qual a esquerda, com base sindicalista, chegou ao poder novamente, depois de 12 anos, – o segundo fracasso da esquerda no poder – vemos que as estruturas patrimonialistas não mudou quase nada, continuamos gastando 45% do que arrecadamos com juros da dívida, a pequena grande mudança – quirelas de pão – que foi implementada, o Bolsa Família, foi feito pela percepção e intuição de Lula, pois a depender de sua equipe de auxiliares petista, não teria implementado.

La nave va

Cidadania & Cultura

Spinoza

Baruch de Espinoza (24 de novembro de 1632, Amsterdã — 21 de fevereiro de 1677, Haia) foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu em Amsterdã, nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

Na mesma época em que excomungaram Juan del Prado (leia post anterior) pela primeira vez, Karen Armstrong conta, em seu livro Em nome de Deus: o fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo (Tradução: Hildegard Feist. São Paulo; Companhia das Letras; 2001), que os rabinos se voltaram contra Baruch Spinoza, que tinha então 23 anos de idade. Ao contrário de Prado, Spinoza nasceu em Amsterdam. Seus pais eram marranos judaizantes em Portugal e, quando se instalaram em Amsterdam, conseguiram fazer a transição para o judaísmo ortodoxo. Portanto, Spinoza não sofreu…

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Celso Furtado: 10 Anos Depois

Cidadania & Cultura

Celso Furtado - Foto Eduardo Simões

Rosa Freire d’Aguiar, viúva do Celso Furtado, narra seus últimos momentos. E descreve o esforço que todos nós, seus herdeiros intelectuais e políticos, fizemos para preservar seu grandioso legado.

20 de novembro de 2004: era um sábado, final da manhã. Celso queria ver o documentário “Sob a névoa da guerra”, em que Robert McNamara relembra seus tempos de ex-presidente do Banco Mundial e ex-secretário de Defesa americano. Tínhamos perdido o filme em Paris, desde então premiado com o Oscar de melhor documentário. Eu ia à locadora pegar o dvd e, na volta, passaria pela feirinha da Arcoverde para comprar salmão e quem sabe uma pamonha. Antes, resolvi fazer um café. Quando entrava na cozinha percebi que Celso, em pé e levemente debruçado sobre a mesa de jantar, lendo as manchetes do jornal do dia, fez um movimento para trás. Recuei, o segurei pelo braço: “Cuidado, você vai…

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Espírito Paulistano: Ai, Como Dói Uma Saudade…

Cidadania & Cultura

José Mujica - Presidente do UruguaiO Brasil tem uma burguesia paulista muito forte, que custa a entender que não é mais tempo de colonizar, mas sim de juntar aliados para construir empresas transnacionais latino-americanas. Estão muito fechados em São Paulo e com uma visão de elite. Isso tende a provocar um temor em eventuais competidores da região. Isso vai contra à integração. A briga é internacional. Mas São Paulo não pode ir sozinho. Não vamos pedir aos empresários paulistas que sejam socialistas. Mas temos que pedir-lhes que sejam latino-americanos.” Essa sábia declaração foi dada por José Mujica, presidente do Uruguai (Valor, 07/11/14).

Lorenna Rodrigues e Murillo Camarotto (Valor, 07/11/14) informam que, apesar de responder por 31,3% da produção industrial brasileira — o maior percentual entre as 27 unidades da federação – a industrialização crescente em outros locais fez de São Paulo o Estado que mais perdeu participação no PIB da…

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Simon Sinek: How great leaders inspire action

Simon Sinek has a simple but powerful model for inspirational leadership all starting with a golden circle and the question “Why?” His examples include Apple, Martin Luther King, and the Wright brothers … (Filmed at TEDxPugetSound.)

Filmed September 2009 at TEDxPuget Sound

Bilhete, Ivan Lins e Vitor Martins

Facebook do Ivan Lins:

Amigos,

“Bilhete” foi composta em dezembro de 1979, em Teresópolis, em nossa ex-casa, no Ingá.
Eu e meu letrista e amigo Vitor já estávamos tentando fazer uma canção fazia dias e nada.
O clima começou a ficar desagradável. Começamos a nos estranhar.
Eis que nossa empregada, Dona Carmelita, reparando a situação, veio a nós e nos recomendou uma rezadeira que ela conhecia, chamada (pasmem) Madalena.
Fomos lá. Era numa pequena favela (hoje grande), no Caxangá. Subimos e chegamos à casinha dela. Dona Madalena era uma senhora branca, tipo nórdica, cabelos desgrenhados e simpática. Dona Carmelita explicou a ela que nós precisávamos de uns passes.
Aí ela foi para um canto e se concentrou e de repente estremeceu toda e recebeu uma entidade. Pegou um caderno e começou a escrever rabiscos nervosos, páginas e páginas, numa velocidade incrível, quando acabou, voltou para o canto, estremeceu de novo e voltou ao que era, e passou a traduzir a rabiscada toda: MAL OLHADO, INVEJA BRABA.
Virou-se para Vitor e disse pra ele acender uma vela numa pedra na beira de um rio e dedicar a uma entidade tal. Virou-se para mim também e disse para eu acender uma vela num descampado e dedicar a uma outra entidade. Já eram umas 20h da noite. Saímos de lá e Vitor logo achou o rio e acendeu a sua vela. Demorei a achar um descampado. Peguei minha vela, acendi e vi que não tinha pavio. Saímos atrás de outra vela, era domingo, tudo fechado. Acabei ganhando uma vela numa padaria.
Voltei ao descampado e acendi, dedicando a tal entidade. Voltamos para casa.
Dia seguinte, à tarde, minha sobrinha Heliane atende a um telefonema e vem me chamar dizendo que era um tal de Bíblia ou coisa parecida. Atendi e era o Quincy Jones, dizendo maravilhas de minhas músicas e nos convidando para Los Angeles, para saber o que ele estava preparando para nossas canções.
Minha carreira internacional começou ali.
Claro que no dia seguinte já estávamos inspiradíssimos e a primeira que saiu foi “Bilhete”.
Fiquei meio assustado com o tema, dizendo pra mim mesmo que nunca gostaria de cantar aquilo.
A inspiração não ficou só nisso. Fizemos mais umas 3 canções, entre elas “Atrevida”, que Simone e Isabella Taviani gravaram.
Canções femininas. Acho que a entidade do Vitor era uma mulher.
Gravei “Bilhete” no disco “Novo Tempo” de 1980. Ano seguinte Fafá de Belém grava e estoura a música nas paradas, com um arranjo belíssimo de César Camargo Mariano.
Dois anos depois ganhei meu “Bilhete”. O que eu temia aconteceu.
Fazer o quê?
Beijos,

Ivan

 

Bilhete – Ivan Lins & Zizi Possi:

 https://www.youtube.com/watch?v=k6U2lf_Jiig

‘Boyhood’, o filme de 11 anos

Carta Capital – Cultura – Cinema
‘Boyhood’, o filme de 11 anos
Vencedor do Festival de Berlim, diretor Richard Linklater filmou o crescimento de um ator dos 5 aos 18 anos para ilustrar a trajetória da infância à juventude
por Orlando Margarido — publicado 10/11/2014 05:29

O americano Richard Linklater é um diretor de expedientes incomuns. Se usa a animação, o faz numa técnica diretamente sobre os atores, como em Waking Life (2001). Se investiga como seria o relacionamento amoroso, e trivial, entre um homem e uma mulher por décadas, leva a questão a sério e dilata o tempo na mesma medida.

Sua trilogia das fases de vida do casal começa em 1995 com Antes do Amanhecer e termina com Antes da Meia-Noite, realizado no ano passado, sempre com a mesma dupla de atores. Como se deveria supor, então, o também difícil crescimento e maturidade de um rapaz? A resposta vem prodigiosa em Boyhood, projeto que garantiu a Linklater o Urso de Prata no Festival de Berlim deste ano, como Melhor Diretor.

Para compor a trajetória do protagonista Mason da infância à juventude, Linklater fez o impensável numa indústria movida a prazos e orçamentos. Filmou Ellar Coltrane dos 5 aos 18 anos a fim de acompanhar descobertas e percalços relativos às idades. “Foram 39 dias de filmagem em uma produção de 4.200 dias, de julho de 2002 a outubro de 2013”, contou.

O feito não se esgota no recurso técnico. Amplia-se a um contexto dramático e mesmo social na medida em que esboça uma cultura texana de onde provém o realizador. Assim, do trauma dos pais separados (Patricia Arquette e Ethan Hawke), vemos Mason evoluir na busca de um rumo, nas dúvidas e aflições significativas para ele, mas naturais a todos. Pelo viés inesperado do formato, Linklater tornou o quadro mais sincero e cativante.

Boyhood: Da Infância à Juventude – Trailer Legendado