Storytelling e Narrativas

Storytelling

Posted on 07/10/2013 by 

Um aluno do Curso de Extensão, Eduardo Henrique Monteiro Oliveira, administrador profissional, chamou-me a atenção sobre a educação corporativa através do storytelling. Disse-me que “os psicólogos afirmam que o ingresso em mundo fictícios alteram radicalmente a maneira como a informação é processada, pois as histórias baixam nossa guarda intelectual — que emerge quando lemos [ou vemos] argumentos factuais que nos deixam críticos ou céticos. Assim, nos deslocam para um plano emocional que faz essas defesas se enfraquecerem“.

Fui pesquisar na web para ver de o que se trata. Achei: Como o Cinema pode inspirar as Empresas? Percebi que há muitos pontos comuns com a experiência interdisciplinar que tenho feito, intuitivamente, via Economia no Cinema.

Em poucas palavras, trata-se de contar histórias. Nossos ancestrais já tinham esse hábito, quando, à noite, os velhos sábios se reuniam com os jovens em volta de fogueiras e falavam do conhecimento adquirido pelos antecedentes. Era a forma de transmissão oral de um saber. Visava a perpetuação de práticas e conhecimentos necessários à sobrevivência da comunidade.

O que hoje é chamado de storytelling, na prática de Educação Corporativa, busca garantir que o empregado da empresa não somente entenda o que está por trás da história empresarial, mas que se conecte com qualquer parte daquela narrativa, passando a fazer parte do enredo de alguma maneira. No caso, contar histórias não é apenas entretenimento, mas sim a gestão do conhecimento ou a divulgação da cultura da empresa. Eu, por exemplo, poderia contar várias histórias de bancos!

A primeira grande vantagem de se utilizar histórias de sucesso em uma empresa, sejam elas baseadas na vida de fundadores ou gestores da organização, é que elas carregam os valores, princípios éticos e fundamentos norteadores para o futuro de uma empresa. A formação técnica das pessoas não cabe ao storytelling. Esta trata da necessária formação cultural e estratégica. O que se busca com essa prática é traçar os cenários de mudanças, priorizando atitudes e formas de encarar situações complexas ou mesmo novos direcionamentos estratégicos nas empresas.

A “jornada do herói”, típica em todos os roteiros cinematográficos, aparece também nessas narrativas. Conta-se o que ocorreu em outros tempos difíceis, através da postura diferenciada do líder empresarial diante dos maiores desafios.

Muitas histórias contadas nas empresas referem-se aos fundadores em conjunturas muito diferentes. “Isso pode ser um fator negativo, caso a história não seja bem contada ou bem contextualizada. O que importa não é o tempo ou o personagem, até porque diferem em muito do momento atual. Importa sim como a história é contada e direcionada para o momento presente, enfatizando-se as lições, valores, princípios éticos, morais e atitudes dos personagens em questão. O que precisa ficar para os colaboradores é a representação simbólica e coletiva do legado desses personagens, como forma a impulsionar uma mudança de postura.”

Para evitar a personalização e/ou mitificação do patrão, não seria melhor contar estórias através do cinema? Qual seria o critério de seleção dessas estórias a serem contadas ou mostradas? Existe um método para o storytelling na educação?

Para qualquer situação em que se utilize o storytelling com finalidade educacional, é preciso que os eventos se desencadeiem de forma lógica e que seja deduzida uma “moral da história”. Após contar uma estória através da exibição de um filme, cabedestacar alguns pontos:

  1. Contexto histórico;
  2. Ação de quebrar rotinas, mudar cenários;
  3. Eventos de impacto que representaram mudança de trajetória para os protagonistas;
  4. Exame do personagem carismático que anseia pela conquista de algo, gerandoidentificação na plateia;
  5. Destacar o personagem antagonista e os obstáculos enfrentados, pois oprotagonista “heroi” sempre luta contra algo ou alguém: um outro personagem vilão, movimentos coletivos insurgentes, ou mesmo obstáculos de natureza fortuita;
  6. Contextualizar, claramente, o conflito histórico;
  7. Da disputa do protagonista com o antagonista, é preciso que se configure umcenário de tensão, levando o conflito até o ouvinte ou o espectador, fazendo-o ficar atento e envolvido com a história;
  8. Ordenar de forma lógica a história, de maneira que o começo, o meio e o fim geram sentido para o ouvinte ou espectador.

A aplicação do storytelling em Educação é um tipo de influência sobre modelos mentais preconcebidos. Possui poder de persuasão para transmitir conhecimentos. É um processo de transferência ou troca de conhecimentos e produção de sentido para as pessoas. Os meios virtuais como portais de educação, blogs, redes sociais e outros similares, tão marcantes nos tempos atuais, também podem e devem ser apropriados nesse processo.

Contar histórias é ancestral e fundamental para alcançar a geração nativa digital. Para os gestores e os professores, é uma nova habilidade a ser aperfeiçoada. Possuir a arte da narração é uma competência determinante para a liderança de um grupo de colaboradores ou uma turma de alunos.

Existem pessoas que já tem uma habilidade natural para contar histórias. Certamente, terão mais facilidade ao encarar o storytelling como ferramenta estratégica de gestão do conhecimento. Porém, para aqueles que não possuem essa habilidade, é preciso que hajaformação e treinamento para contar histórias que vão garantir a sobrevivência de suas empresas ou bom êxito da tarefa educacional.

Fonte: Ubirajara Neiva (Gestor de Educação Corporativa): http://www.e-lead.com.br

“Ao tentar comunicar uma nova ideia para uma audiência cética, descobri que as virtudes de precisão, rigor e transparência não estavam funcionando. Tendo passado a vida toda acreditando no sonho da razão, fiquei pasmo ao ver que uma história contada apropriadamente tinha o poder de fazer o que um estudo analítico rigoroso não conseguia: comunicar uma estranha ideia nova com facilidade e de forma natural, motivando rapidamente as pessoas a agirem com grande entusiasmo”, afirma Stephen Dennings, autor do livro “O poder da narrativa nas organizações”.

“Existem vários modos para a criação de narrativas, utilizando diferentes mídias como suporte. Mas, no contexto organizacional, o objetivo não é criar uma narrativa de vanguarda, mas algo com uma estrutura lógica e linear”.

Há cinco pontos essenciais que toda boa estória precisa ter:

1 – Uma situação extraordinária ou quebra de rotina. Algo que vai fazer a personagem principal deixar o cotidiano para realizar um feito épico.

2 – Um ou mais personagens. Pessoas que irão à busca de algo além do comum. O personagem principal deve ser alguém com quem o público possa se identificar.

3 – Um antagonista. Uma situação, pessoa ou grupo que irá fazer frente ao personagem principal e tentar impedir a todo custo o seu avanço.

4 – Sentimentos. Para mexer com a emoção das pessoas, a história deve ser como uma música, misturando momentos de calmaria, tensão, alegria e melancolia.

5 – Roteiro. A estrutura é essencial para que a história não perca de vista o seu propósito.O roteiro deve ter começo, meio, clímax e fim, intercalando momentos que darão sentido à narrativa.

http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/10/07/storytelling/#comment-25836

Prezado Fernando,
Essa história de contar história é cativante, assunto para “Mil e uma noites”, ou como diria Paul Feyerabend, “Adeus Razão”.
Esse artigo de ontem de John Hagel, procura distinguir a pequena diferença entre contar história e narrativas no campo empresarial, interessante, assim como o vídeo dele que procura associar a questão profissionalismo e paixão. O cara é figura conhecida, mas seu histórico, é da Califórnia e morou na adolescência na Venezuela.
Sds,

The Untapped Potential of Corporate Narratives

At a time when we’ve all become obsessed with the power of story-telling, I’ve become increasingly focused on the missed opportunity to harness the much greater power of narratives, especially for institutions. In a time of mounting performance pressure and growing uncertainty, narratives will make the difference between institutions that crumble and institutions that grow stronger.

Yes, yes, I know that most of us use these two terms interchangeably – stories and narratives are viewed as the same thing. But I draw two critical distinctions which I’ve developed in more detail elsewhere (my early thinking on this topic is available in a blog and a SXSW talk).

Stories versus narratives

To recap, here are the distinctions. First, stories are self-contained – they have a beginning, a middle and an end. Narratives on the other hand are open-ended – the outcome is unresolved, yet to be determined. Second, stories are about me, the story-teller, or other people; they are not about you. In contrast, the resolution of narratives depends on the choice you make and the actions you take – you will determine the outcome.

Everyone is captivated by the emotional power and engagement of stories and it’s true, they have enormous power. But to understand the much greater power of narrative, I point out that throughout history, millions of people have given their lives for narratives. Every successful social movement in history has been driven at its core by a narrative that drove people to do amazing things, whether it’s the Christian narrative, the American narrative or the Marxist narrative. Narratives have an extraordinary power of pull.

Narratives are relevant at multiple levels – they can shape our lives, our institutions and the social arenas that surround us. I’m going to focus here on narratives at the institutional level, especially companies.

The pseudo-narrative

When I talk to executives about narrative, I tend to get puzzled looks – why are we talking about narratives? We have a business to run, profits to make and competitors to keep at bay. A few times, executives will proudly announce their company has a narrative: it had very humble beginnings, overcame enormous obstacles, accomplished great things and has the potential to do much more.
Alas, I point out that this so-called “narrative,” so common to many companies, is about themselves. It’s not about the people they are trying to reach and move. It’s not really a narrative – at best, it’s an open-ended story.

Examples of corporate narratives

Very few companies have in fact developed powerful narratives. One of the best, in my mind, is Apple. Their narrative is condensed into the slogan, “think different.” Unpack the narrative and it goes something like this: there’s a new generation of technology that for the first time in history has the potential to free us from the constraints and pressures to fit into mass society and that makes it possible for us to express our unique individuality and achieve more of our potential. But this is not a given – it depends on one thing: you have to think different. Are you willing to do that?

Apple’s narrative is about us and what we need to do; it’s not about Apple. Of course Apple epitomized what it meant to think different. Certainly, if you go back to its two founders – Steve Jobs and Steve Wozniak – it’s hard to find two individuals who more epitomized what it means to think different. Given the power of this narrative, it’s not surprising that Apple has generated a quasi-religious movement around its products and services.

Just briefly, one other powerful example of a corporate narrative is Nike’s – once again, condensed into a powerful slogan: “Just do it.” Unpack the slogan and a narrative begins to emerge. You’re surrounded with distractions and time pressure, but you have an opportunity to break personal barriers and achieve new levels of physical fitness and health. Others have shown that it’s possible to overcome perceived limits to human performance with determination and perseverance. Sure, it’s hard work and there’s going to be a lot of challenges along the way. In the end, though, the quest to become your personal best is filled with beauty, drama, moral uplift and fun. But, to get started on this journey, you need to “just do it.” Will you?

I give these example and they resonate among executives. But I still find them skeptical about what narrative could do for them and their companies. So, I’m going to explore here the specific benefits that narratives can provide to companies and why I believe narrative is becoming so much more powerful in our evolving global business economy.

Differentiation

In a world characterized by an expanding array of options competing for attention, a powerful narrative can differentiate – it can help a company to stand out from the crowd in a powerful and sustainable way. Narratives are by definition a long-term, sustaining call to action. They far outlive any individual product or service offering (although of course the evolving product or service offerings must be consistent with and reinforce the narrative). More importantly, the differentiation is based on a deep understanding of what drives the people a company is trying to reach and taps into a powerful unmet need that these people have. It’s a far more powerful differentiation than the features and functions of a product.

Leverage

A narrative can mobilize people outside the company to act in ways that support and reinforce the goals that a company is trying to achieve. In a time when performance pressure is mounting and resources are becoming more limited relative to needs, a narrative can mobilize resources from a broad array of participants that can amplify the efforts of the company. Think of the community of application developers around Apple that are driven to support their platform, at least in part because of their narrative.

Distributed innovation

We live in a rapidly changing world where even the smartest of us no longer have all the answers. We need to tap into a much broader community of expertise and capability to help us come up with the next wave of insight, practices and products. A powerful narrative can focus a much broader community on an exciting opportunity that can spur innovation in very unexpected directions. For example, what would it take to help people to “think different”? A rich and diverse collection of application developers are deeply engaged in figuring this out and coming up with a growing array of innovative apps. Narratives encourage people to take initiative – properly framed, they can unleash a wave of experimentation, tinkering and exploration that can lead to accelerated learning and breakthrough insights from very unexpected quarters.

Attraction

A powerful narrative pulls people to you. Word spreads rapidly by those who have already been engaged by the narrative. Participants will want to find others who either might help them attain the opportunity defined by the narrative or who might share their feeling that this opportunity is worth attaining. Rather than trying to push your message out to an increasingly saturated audience, they will swarm to you, drawn by the opportunity and the challenge you have laid out. Properly articulated, a narrative taps into a deep need that will drive people to find you wherever you are – they will not rest until they have connected with the institution that spoke to them in such a powerful way.

Relationships

In a world of attention scarcity, simply gaining attention is not enough. Attention can be fleeting, gone as quickly as it came. What we need to be successful in business is deep, long-term, trust-based relationships. In a world that is constantly conspiring to draw our attention to the next shiny object, these relationships can be very challenging to build and they’re even more difficult to maintain.

Narratives frame long-term opportunities that require sustained relationships to achieve. We naturally seek connection with others who have fallen under the spell of the narrative and with the institution that crafted the narrative. By working together to achieve an exciting opportunity, we get to know each other in far deeper ways than we ever would through casual conversations. We develop trust as we learn whom we can really rely on. These relationships can sustain an institution in turbulent times when the going gets tough far better than the commercial “relationships’ that fray as soon as the tides change.

Overcoming cognitive biases

So far, I’ve been framing the power of narrative in terms of the benefits of connecting with and mobilizing others beyond the boundaries of the institution. But there’s another benefit that encompasses both the individuals within the institutions and those outside. Narratives help us to overcome cognitive biases that tend to take hold in times of growing uncertainty and turbulence.

While completely understandable and natural, these cognitive biases can lead to increasingly dysfunctional behavior. I’ve written about this aspect of narratives in an earlier blog posting, but the cognitive biases that narratives can overcome are: risk aversion, shortening time horizons, zero-sum views of the world and erosion of trust.

If executives want to build institutions that can grow stronger in turbulent times, rather than weaker, they have to find ways to overcome these cognitive biases among their employees as well as among those they are trying to serve and collaborate with outside. Narratives can play an important role in accomplishing this.

Bottom line

Hopefully you can begin to see the untapped power of narrative in a business context. If you do, resist the temptation to simply write up a powerful narrative. Effective narratives emerge from collective action, not just words on a page.

There’s a lot that remains to be done to explore the power of narratives for business. I’ve cited Apple and Nike as examples of corporate narratives but surely there are other examples. What examples have you come across? What criteria can we use to evaluate the power of a narrative? What makes for a great narrative versus just a so-so narrative? What are the most effective approaches to defining and spreading a narrative? How can narratives evolve over time? I need your help in fleshing this perspective out.

Narratives are not just “nice to have.” They are increasingly the foundation that will drive business success. Those who master this opportunity will be able to harness increasing returns while those who don’t will remain trapped in the purgatory of diminishing returns until the inevitable collapse. Narratives harness the power of pull in ways that almost nothing else can – especially that third, and most powerful, level of pull: achieving more of our potential. With narratives, small moves, smartly made, can indeed set very big things in motion. Will you join me? It’s up to you.

Posted by John Hagel III on October 07, 2013 | Permalink
http://edgeperspectives.typepad.com/edge_perspectives/2013/10/the-untapped-potential-of-corporate-narratives.html

TEDxWestlake – John Hagel – “From push to passion”
http://www.youtube.com/watch?v=vUvpTvGb4TY

 

Fernando um outro ponto sobre a questão do futuro da educação

O Professor Fredric Litto, que pesquisa o assunto sobre Educação do futuro e EaD, à décadas, é um “gringo” mais brasileiro que a majoritária elite tupiniquim, palestra de agosto 2013:
“Aprendendo a Distância: Reflexões de um Velho Acadêmico”:
http://iptv.usp.br/portal/home.jsp?tipo=0&_InstanceIdentifier=0&_EntityIdentifier=uspwAzSgWapDt0tpNVx-XAWvL1LIqbTdwke8h2VRcWhQeE.

Bloco de Perguntas:
http://iptv.usp.br/portal/home.jsp?tipo=0&_InstanceIdentifier=0&_EntityIdentifier=uspx9gTIT3pBs3z2-0fQnDIJ8T1SmATm7lsm2hfOODo1OQ.&idRepositorio=0&modelo=0

Esse disse na palestra, “os bons alunos vão estudar online, os outros ficarão na classe”
Perguntei-lhe depois, Se os bons alunos vão mesmo online, porque os bons professores vão ficar na sala de aula?

O investidor Vinod Khosla, é radical sobre o futuro: “The best education will happen without teacher, maybe we don´t need teacher to teach.” (Índia, 2011)

Nicholas Negroponte, volta a base de nossa civilização e a Sócrates: “O conhecimento se tornará uma commodity?”
Quem viver verá!

 

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